Entendendo os
circuitos...( Parte final )
Teminada
a análise do circuito, podemos então coloca-lo em teste prático de
funcionamento em um "Protoboard",
mas para que este modelo possa nos servir de modo realmente útil, torna-se
praticamente inevitável a utilização na prática, de circuito impresso como
base para esta e outras montagens eletrônicas em geral, tornando-as definitivas
e com aparência mais profissional...
A placa de Circuito impresso...
( Embora
atualmente já existam diversos Softwares e novas técnicas para a confecção
de circuitos impressos, resolvemos continuar a demonstrar aos principiantes, o
antigo sistema manual de confecção de layouts e circuitos impressos, pois
sabemos que nem todos possuem condições e/ou equipamentos para atuar com estas
novas técnicas... Futuramente iremos aborda-las em nossas páginas para os
apressadinhos! )
O nome
" Circuito impresso " foi colocado devido a sua grande semelhança com
os aspectos de impressão utilizados nos mais diversos meios atualmente. Sua função
específica é a de interligar eletricamente os circuitos e componentes entre
si, dispensando o uso dos fios utilizados nas montagens "aranha" e nos
Protoboards...
Atualmente, existem à venda no comércio 2 tipos de placas
com diferentes materiais utilizados em sua matéria prima, sendo:
- O Fenolite ( Placas de fenolite
)
- A Lã de vidro com resinas especiais ( Placas
de fibra )
A Placa
de fenolite, se diferencia especialmente da Placa de fibra pelo custo, sendo
portanto de qualidade inferior, mas ideal para as montagens básicas e de fácil
manuseio, sendo esta última característica, fato comprometedor na Placa de
fibra, pois possui excelente dureza no material, sendo dificultoso seu corte e
impossível a perfuração pelo perfurador manual, somente perfurável com
furadeira e prendedores apropriados...
Mas não podemos com isso, desmerecer a Placa de fibra, que
é excelente em suas características mecânicas e elétricas, principalmente
quando se trata de montagens em altas frequencias, onde a Placa de fenolite
"perde feio" com alcances de frequencias de até 110 Mhz máximos,
quando comparado as de Fibra, que ultrapassam 10 Ghz ...
Fisicamente, podemos descrever as placas de circuito impresso em geral, da
seguinte maneira: Um substrato isolante ( que é a base, na qual já falamos ),
sendo o fenolite ou a fibra, com espessura de aproximadamente 1,6 mm; e uma
superfície laminada condutora ( de cobre ) muito fina, aproximadamente de 0,05
mm, colada à base isolante, por processos industriais...
Esta superfície laminada de cobre, pode vir colada em uma única
face da base, sendo então denominada placa de face simples, ou em ambas
as faces da placa de circuito impresso, advindo daí as chamadas placas de
dupla face, no intuito de se ganhar mais espaço ou permitir que trilhas
adicionais possam estar presentes, sem confusões de entrelaçamento de ligações
ou "jumpers". A interligação entre faces se faz pelos furos, que
neste caso são metalizados entre si, quando se necessita por ventura desta
interligação...
( Para nossos
leitores novatos, utilizaremos somente a técnica de layout face simples)
Foto de uma placa de fibra (e) e de fenolite (d)

Além da
característica das faces nas placas de circuito impresso, ainda existe outra,
na qual elas podem ser montadas, através de técnicas especiais, em camadas,
chamadas de " Multilayers", interligadas uma as outras através das
conexões metalizadas entre furos. Tais placas e técnicas não são aplicáveis
ao nosso cursinho, pois além de caríssimas, exigem equipamentos adequados e
sofisticados à construção destas placas, tendo sua utilização na prática
somente em circuitos de grande complexidade, como Placas-Mãe de computadores,
por exemplo ( Motherboards )...
Um
detalhe importante,
que é ótimo deixar claro para o principiante desde já, quando estiver
desenhando seu layout na própria placa, está no correto dimensionamento das
trilhas, em função da corrente elétrica que por ela vai percorrer. Como
sabemos que a espessura da trilha é fixa ( 0,05mm ), quanto maior a corrente,
obviamente mais larga deve ser a trilha desenhada na placa e vice-versa ...
Entretanto, nem todas as trilhas são percorridas por corrente de igual
intensidade, assim, em uma mesma placa, podemos ter trilhas de larguras bem
variadas, pois o parâmetro de cada uma dependerá unicamente, como já
dissemos, de sua corrente percorrida!
Como
sugestão para os que gostam um pouquinho de matemática, apresentamos uma
"formulinha" simples que nos propicia a correta largura da trilha na
placa:
I
L = ---------
0,2
Sendo: L = Largura da trilha, em milímetros
I = Corrente, em Ampéres
0,2 = Fator constante
Vamos a uma aplicação prática desta formula...:
Estamos projetando
uma placa, onde, em determinado momento, sabemos pelo cálculo da Lei
de Ohm que, através de uma trilha irá
passar 0,4 Ampéres de corrente. Qual seria a largura necessária da trilha na
placa para suportar adequadamente esta corrente?
Temos: Corrente = I = 0,4A
Fator constante = 0,2
L = Largura = ???
Aplicando a fórmula:
0,4
--------- = L = 2 mm
0,2
Resposta: A largura
ideal da trilha na placa de circuito impresso para esta determinada corrente
seria de 2 milímetros!
Torna-se
óbvio que nem sempre o "layoutista" deva calcular a largura das
trilhas em função de sua corrente, pois sabendo-se, por exemplo, que por todo
o circuito, não fluirá mais do que 300 miliampéres (0,3A), basta então que
tracemos trilhas de 2mm por toda a placa de circuito impresso,
"padronizando" de maneira geral e sem preocupações as trilhas...
Outro
detalhe que merece atenção, ainda em relação ao dimensionamento, está nas
"ilhas"
pela qual futuramente será soldado os componentes eletrônicos. Normalmente,
elas podem seguir uma padronização que ultrapasse, no mínimo, cerca de 1,5
milímetros o diâmetro do furo na placa, respeitando e acompanhando também o
limite de corrente imposto pelo diâmetro da trilha! Veja este e outros detalhes
nas fotos da seção - Como fazer suas primeiras placas...
Do circuito ao lay-out propriamente
dito...
Vamos agora finalmente
à construção do tão esperado Layout de nosso circuito, para daí então
podermos passar para a fase final deste projeto, que é a confecção da placa
com seus componentes...
Antes de iniciar qualquer processo, torna-se necessário que
o "aluno" disponha de todos os componentes eletrônicos e
alguns materiais em mãos, para a confecção do Layout, sendo:
- Uma folha de papel quadriculado
- Lápis e borracha
- Régua
- Todos os componentes eletrônicos do Pisca - pisca
Seguindo passo-a-passo os procedimentos de
confecção...
1- Coloque um a um os
componentes eletrônicos ( com exceção do interruptor e suporte de pilhas )
dispostos de maneira ordenada sobre o papel quadriculado ( que facilita o
alinhamento ), procurando obter a melhor distribuição e compactação possível
dos componentes na folha:

Disponha um a um do melhor modo os componentes sobre a folha
2- Marque as posições
dos componentes, respeitando suas dimensões entre terminais, com pontos para
demarcação das ilhas:

Aperte com carinho para marcar os furos
3- Com todos os
"pontos" marcados, inicie o processo de traçagem entre ilhas
correspondentes, seguindo o circuito esquemático do Pisca-pisca:

Lay-out pronto com todas as trilhas e ilhas
Observe alguns fatos na disposição dos componentes no layout:
- No circuito, o
componente real tem o mesmo número de terminais ( Pernas) que o representado
pelo símbolo no diagrama do nosso circuito.
- A posição dos componentes no circuito em relação ao
layout, nem sempre se assemelha, podendo estarem bem distanciados um do outro.
- As uniões entre componentes; encontram-se através das
trilhas em pontos nem sempre equidistantes ( distâncias iguais ) cabendo ao
projetista, encontrar o melhor "caminho" para esta união, pelas
trilhas, respeitando os limites da placa.
- Dependendo do número de ligações necessárias num
circuito, nem sempre torna-se possível efetuar todas as conexões através das
trilhas do circuito impresso, porque, inevitavelmente ocorreriam cruzamentos em
algumas trilhas, o que não é permitido, pois ocasionaria curto-circuito entre
elas. Se isto ocorrer, existe um artifício chamado "Jumper" ( do inglês
jump - saltar ), que nada mais é, do que a utilização de um pedaço de fio,
para se fazer a ligação destes pontos críticos um ao outro, por sobre
a placa, como se fosse mais um componente.
- Atenção especial deve ser
tomada quando o componente possui polaridade e mais que três terminais: Como
o componente real estará sobre a face não cobreada da placa, seus terminais
estarão dispostos invertidos no lado cobreado, onde será efetuada a futura
soldagem. O exemplo mais prático disto está no circuito integrado Cmos 4093,
que possui correta disposição dos pinos contados através do pino número 1.
Assim, quando for demarcar o C.I., observe atentamente que a posição deste
pino ( 1 ) deve ser registrada no layout com o C.I. virado de cabeça para
baixo!
- Uma vez bem dispostos
os componentes sobre a folha quadriculada, e obedecendo as regras impostas
acima, resta-nos somente interligar os "pontos" dos terminais entre si
com o lápis, procurando caminhos práticos e fáceis para interligação entre
os pontos denominados "ilhas"
sendo as"pistas" de interligação chamadas "trilhas"...
Observe que não existe norma ou estilo para o desenho na placa das trilhas ou
ilhas. O importante é o "aluno" ser prático; procurando o menor
trajeto para as trilhas de maneira que também não fique "feio" para
as nossas vistas o layout. Com o tempo e a prática, você verá que, a cada
layout novo que fizer, melhor será seu aspecto no quesito elegância e
profissionalismo. Resta paciência....

Clique
na foto para ver como fica cada componente...
(
O C.I. originalmente fica invertido, e o jumper foi colocado de propósito a título
de exemplo )
" Procure não copiar o layout,
desenvolva você mesmo o seu, e não se importe de errar, analise e refaça
quantas vezes se fizerem necessárias, pois somente assim é que você vai
aprender de verdade! "